Estou pronta para ser mãe - Aos olhos de Sofia

Estou pronta para ser mãe - Aos olhos de Sofia

Algumas são as vezes em que alguém o diz, também algumas são as vezes em que mais tarde alguém se apercebe que não estava preparada. Provavelmente, só se fica realmente pronta para se ser mãe durante o processo de “ser” e muitas serão as vezes durante o processo em que nos sentimos perdidas, nada prontas para esse papel. Ser mãe é talvez aquele papel que será o mais desafiante, será o compromisso mais duradouro e para o qual não nos formam, (todo o material de leitura disponível parecerá sempre insuficiente).

O facto de estar a dizer que talvez nunca se está 100% preparada para o papel de mãe, não significa que não existe ou não se deva fazer preparação para a parentalidade. Acredito que com as famílias cada vez mais pequenas e isoladas, se torna mais importante fazê-lo e criar sistemas de apoio às mães e famílias durante a gravidez e primeira infância.

Olhando então para a maternidade, como algo para o qual é possível nos prepararmos, mas com a consciência que não estaremos 100% preparadas o tempo todo, como se processa esta preparação?

Os livros descrevem que a preparação para a maternidade começa durante a gravidez ou o período que a antecede, no qual se começa a reavaliar as relações com as mulheres que nos são próximas e tiveram influência na nossa educação, mães, avós, tias, amas, vizinhas…. Olhando para a forma como desempenhavam o papel maternal, retirando aquilo que queremos incluir em nós e aquilo que não queremos fazer. É possível que este processo gere algumas alterações na relação com estas mulheres da nossa vida, lembrem-se que cada uma fez o melhor com os recursos que tinha tal como nós o faremos, façam este processo com o mínimo de julgamentos possível e com um olhar de compreensão e compaixão pelo que foi.

Outras das partes importantíssimas do processo de preparação para a parentalidade é claro aprender as coisas relativas ao cuidado com o recém-nascido e criança, ajuda imenso a reduzir o medo e trazer segurança, especialmente durante as épocas em que o cansaço que faz sentir.  Lembro que esta aprendizagem é a dois, idealmente todos beneficiam se assim for.

Para mim uma das partes mais importantes passará por um conjunto de conversas com o parceiro, que idealmente começa antes da gravidez. Essas conversas sobre os papel maternal e paternal, irão desde os valores educacionais a coisas mais práticas de quem vai dar o banho, quem vai usufruir da licença, quem fica quando estiver doente, com que idade vai para a escola, e quando estivermos cansados como será, e se eu mãe precisar de tempo para mim e como vamos manter as nossas coisas individuais… Existem bem mais perguntas e por bastante exaustivas que sejam estas conversas provavelmente vão acontecer coisas que não foram faladas, nessa altura sentam e falam novamente, preferencialmente com honestidade, clareza e transparência acerca das necessidades individuais, familiares e das emoções que a situação em que estão gera, lembrando que cada um tem a sua verdade, a sua forma de ver as coisas e as sentir.

 

Acima de tudo quando sentires que está a ser demasiado, que não estás preparada procura ajuda, sê honesta com os teus sentimentos e necessidades, conversa com quem passou por isso e não te julgue.

Um abraço enorme, estamos juntas na aprendizagem.

Sofia Abreu 

 

Mais sobre Sofia: 

https://reinopequenitos.pt/blogs/news/cronicas-do-reino-aos-olhos-de-sofia?_pos=1&_sid=e937fc911&_ss=r

Partilhar este post...
Tópico anterior Próximo post

Comentarios

  • Sandra B - December 11, 2022

    Excelente texto, sabias palavras. Parabéns a todas as mães mas também às que não quiseram ser e as que queriam e não conseguiram.

Deixe comentário